Zukiswa Wanner, uma das vozes mais ativas da literatura africana contemporânea, oferece um registro raro e necessário: homens negros africanos narrando suas próprias histórias. Longe das poses machistas ou dos estereótipos de gênero, eles se revelam apaixonados, inseguros, engraçados e desbragadamente humanos: amáveis em suas fragilidades, desprezíveis em suas falhas.
A autora alterna os dilemas e contradições de Mfundo, Mzilikazi e Tinaye diante das expectativas sociais sobre o papel do homem: a sexualidade, a autoridade familiar, a independência financeira. Somam-se a isso as tensões familiares, os deveres da tradição tribal e o peso da xenofobia e do racismo mesmo em tempos pós-apartheid.
Ao dar centralidade às experiências masculinas sem esmaecer a presença e a força das mulheres, Zukiswa reconfigura o olhar sobre gênero, poder, sexualidade e afeto em um romance que, ao mesmo tempo em que diverte com ritmo ágil e humor afiado, convida à reflexão sobre o que significa ser homem — e ser humano — no Sul global.
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ZUKISWA WANNER é uma escritora e ativista cultural sul-africana nascida na Zâmbia, de pai sul-africano refugiado e mãe zimbabuense, o que moldou sua visão de mundo. Seu romance de estreia, Madames, foi aclamado pela abordagem das dinâmicas de raça e classe na África do Sul pós-apartheid.
Publicou romances, ensaios e livros infantis e atuou pelo acesso ao livro e pela difusão da narrativa africana. Em 2020, tornou-se a primeira africana a receber a Medalha Goethe (que viria a devolver por posicionamento político). Vivendo entre o Quênia e a África do Sul, Zukiswa continua a desafiar os limites da literatura africana, promovendo a diversidade das narrativas e questionando perspectivas coloniais.
